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Jun 4
2008 |
O empresário David Neeleman, que nasceu no Brasil, mas ganhou fama nos Estados Unidos ao criar companhias aéreas (sendo a Jet Blue a mais famosa delas), tem 20% do capital de sua mais nova empreitada, a Azul Linhas Aéreas Brasileiras. A revelação foi feita ontem, na gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura, com Lillian Witte Fibe, que está previsto para ir ao ar no dia 23. “Comecei com 25% de participação. Mas fiz um rearranjo para o management e agora tenho 20% das ações, mas 80% dos votos”, explicou o empresário. A Azul nasce com um capital de US$ 150 milhões. Neeleman, por enquanto, faz segredo de seus sócios. “Só posso dizer que o (George) Soros não é. Ele é acionista da Jet Blue”, disse o brasileiro-americano, limitando-se a sorrir quando foram citados os nomes do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga (da Gávea Investimentos), do fundo americano Weston Presidio e da Cia. Bozano, de Júlio Bozano. Minutos antes, Neeleman havia dito que chegara a analisar os números da BRA, a pedido de um investidor da companhia. “Disse a ele que o dinheiro estava perdido”. O fundo Gávea, de Fraga, é acionista da BRA. A Azul Linhas Aéreas deve começar a operar no início de 2009, a princípio com três jatos E-195 da Embraer, que serão configurados com 118 poltronas de couro e monitores individuais com TV ao vivo. A empresa está negociando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que a instituição financie a compra dos jatos - o objetivo é ter acesso a uma linha de crédito em reais, para que as receitas e as despesas da companhia sejam casadas. Até agora, o BNDES financiou apenas a aquisição de jatos Embraer por companhias estrangeiras. Respondendo às perguntas em português, Neeleman reforçou no Roda Viva que a Azul vai praticar tarifas mais baixas do que a da concorrência, com serviço diferenciado e vôos sem escalas. Diz que conseguirá fazer isso porque terá custos mais baixos. “O custo por assento do E-195 realmente é maior do que o das aeronaves usados pela concorrência”, admitiu. Ele ressaltou, porém, que esse custo não chega a ser 20% superior, como informa a concorrência. “Deverá ficar entre 5% e 6%. Mas o custo do avião é menor. Consigo atingir o ponto de equilíbrio com menos da metade do avião, ou 55 pessoas. Os concorrentes precisam de mais da metade de um avião que comporta 185 passageiros.” Embora não faça referências diretas, vários sinais indicam que a Azul espera enfrentar maior concorrência da Gol. Quando era presidente da Jet Blue, Neeleman chegou a receber a visita de Constantino Júnior - o empresário brasileiro se inspirou na companhia americana para montar sua empresa no Brasil. Itens como serviço de bordo sem o uso de perecíveis e emissão eletrônica de bilhetes foram copiadas da Jet Blue. “Hoje, faço a viagem de Nova York ao Brasil de TAM”, diz Neeleman, que havia chegado ontem ao país e que pretende ter a definição do nome do novo presidente da Azul até o fim desta semana. As rotas que a Azul irá operar continuam mantidas em segredo, a sete chaves. Veículo: Valor Econômico |









